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Saudade Mãe
Anna Müller

Me lembro o dia mãe,
que fiquei doente e tu cuidastes de mim.
Medicou-me, colocou-me na cama,
e assim o disse:
-Amanhã estarás correndo novamente.-
Mesmo nunca tendo um abraço mãe,
eu te amei;
Mesmo sendo difícil
ganhar um beijo mãe,
eu te amei;
Mesmo quando precisava
de teu colo para chorar
e nunca tenha tido mãe,
eu te amei.
Eu te amei mãe,
da maneira mais linda.
Eu te idolatrava,
eu dizia as amigas
que tinha a melhor
mãe do mundo.
Eu admirava olhar-te
nas horas dos bordados,
enquanto sussurrava algumas
canções que vinham do teu coração.
Adorava ver-te fazendo os pães
que a família deliciava
após tanto carinho e dedicação.
Fitava-lhe enquanto passava
um batom nos lábios antes
de ir à rua para as compras.
Não esqueço as sextas-feiras
em que voltavas da feira
com os deliciosos pastéis.
Aqueles que nos habituava
a comer na semana.
Me lembro quando sentava-se
ao meu lado e me ajudava
nos deveres de casa.
Eras a mais paciente das mães.
Mãe...
Eu cresci,
e talvez tu
não tenhas percebido.
Cresci mãe,
buscando meus caminhos,
que talvez não fossem os
que tu imaginavas para mim.
Mas busquei;
e talvez tu não tenhas
entendido que nem sempre
a felicidade é como imaginamos.
As vezes mãe,
precisamos abrir mão de muitas coisas
que nos prendem,
para conquistar um pouco de alegria.
E tu não percebeste
que eu só buscava ser feliz.
Por mais que tenhas
dado as costas pra esta
minha busca mãe,
nunca deixei de te amar.
Nas minhas decisões
eu sempre pensei:
Que decisão minha mãe tomaria?
Talvez mãe,
eu tenha realmente crescido
nos tempos em que
sozinha me deixastes.
No tempo em que sozinha,
tantas vezes me senti na
necessidade do teu colo.
Aquele mãe, que nunca tive de ti,
e que mesmo assim a vida
me fez te amar e
amar cada vez mais.
Quando te pedi a mão
e você disse-me: não,
tentei acreditar mãe,
que querias que eu andasse sozinha,
ao menos uma vez na vida.
Mas quando criança ainda,
se eu caísse,
tu me pegavas e levantavas.
Foi diferente mãe,
cair e não ter-te ao lado.
Nem mesmo tuas palavras
eu não tinha mais.
Sabe mãe;
as surras da vida,
são as piores.
Não se comparam as tuas palmadas,
doeram e ainda doem.
Eu tinha em meu pensamento mãe,
ainda a esperança de um dia te abraçar.
De poder te olhar
nos olhos e dizer que nunca
deixei esse meu
coração vazio de ti.
Mas chegou o dia
do nosso encontro.
Mas não pude te olhar nos olhos;
nem mesmo te abracei.
Teus olhos não se abriam.
E não se abririam para mim.
E não sei se tudo que te
disse em pensamentos
naquele momento chegaste
aos teus ouvidos.
Mas mesmo assim eu disse.
Mesmo que não tenhas escutado,
eu disse:
Mãe, apesar de tudo,
e independente das circunstâncias...
Eu Te Amo.
Fostes para mim a Melhor Mãe.
E que Deus possa
dar-te essa mensagem
de alguma maneira.
Porque só Ele mãe,
sabe o quanto eu te amo.
28.10.2004

Dirce Gicci - mãe de Anna Müller
aos 10 anos em sua 1ª comunhão.
*14.03.1932 - †26.10.2004

 

 

 

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