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autoria: Anna Müller
Chora pálida
lágrima insólita...
Viaja a face
rubra,
inchada,
consumida pela
D
o
r
Jazem marcas
de outrora
n'alma
sofrida,
paridas
de palavras,
embora
malditas...
vorazes...
deixaram cravado o
A
m
o
r
Viaja o corpo
lágrima insólita...
Chora ainda pálida,
ardente em febre,
a vagar os seios
que dantes
sentiam
o prazer,
o toque sublime...
Hoje, adormecem.
Umedeça os picos
que em tempos
saciou a boca amada,
a língua molhada,
lasciva,
envolvida de puro
P
r
a
z
e
r
Lágrima insólita,
viaja o corpo e...
Chora pálida
dos seios ao ventre
que um dia percorrido
na ponta da língua...
no dedilhar
de uma sinfonia...
no sussurrar da poesia,
fez-se palco
de deliciosas
fantasias.
Escorrega
entre as encostas
que dentre elas
gemidos ecoaram...
suores exalaram...
lânguidos orgasmos
sentidos...e agora...
C
h
o
r
a
Chora lágrima pálida...
quase ressequida.
Viaja o corpo esquecido,
já fenecido...
e chora insólita
o amargo sabor
de um sonho perdido.

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