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Anna Müller
Foram anos de dor e sofrimento;
as cicatrizes suturadas pela dor...
Portas fechadas feito o convento;
proibida a entrada de um novo amor.
Tolo fostes coração, ao acreditar,
que sem te trancares...resistirias
ao doce poeta que em seu versejar,
plantaste em ti, tantas alegrias.
Nas doces palavras ouvistes
ternuras,
e na poesia, o suave balanço do
mar...
Um veleiro carregado de aventuras
e rimas, e sonhos, ainda a realizar.
Ah! Coração, permitistes essa
loucura;
o amor entrou, assim, sem prévio
aviso;
não tens como resistir a tanta
doçura
contida nos olhos e num terno
sorriso.
Se distante ou perto, não interessa;
dois corações em perfeito compasso;
por vezes devagar, outras, depressa;
a dividir igualmente o mesmo espaço.
E por fim, à ambos só resta esperar
o momento que apenas o sonho
conhece;
e nestes versos, poder-lhe dedicar
meu coração, que por ti enlouquece.

Eugénio de Sá
Não se pode insultar um coração
Por ser crédulo aos impulsos do amor
Quantas vezes reage assim à dor
Negando-se a aceitar outra razão
E se às curvas da vida são
subjacentes
Anos de solidão e esquecimento
Ele sabe conceder o justo
acolhimento
Aos desejos de um outro eloqüentes
Quando nas asas das gaivotas são
trazidos
Ou na aventureira lenda de um velho
galeão
Este nobre e sensível coração
Ouve sentido de outro os seus
gemidos
Não se manda que se feche à luz
Condenando-o à torpe escuridão
Não se pode ordenar ao coração
Uma resignação que ao sofrimento
induz
Mesmo se distante se encontra o seu
par
Mas a esperança lhe aflui no sangue
que lateja
Então alegre o coração festeja
A certeza do amor que lhe chega do
mar
Porque da espera um dia há-de chegar
Em que os dois corações batam lado a
lado
E juntem alegrias de samba e de fado
Numa praia qualquer de um qualquer
mar |