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Anna Müller
Boca...
Que abre sedenta da tua...
Que deixa livre a língua
e contorna a tua boca.
Boca que ofega o beijo...
mordisca a boca amada...
encaixa na boca o desejo.
Boca...
Que morde os lábios...
Engole o apetite do beijo...
Boca que sela a tua em silêncio...
Cala a dúvida...
Fala língua com língua
o fogo que arde na boca...
Boca faceira...
escorrega...beija o queixo,
pescoço...corre ao ombro
e perde-se na nuca...
Boca louca, molhada...
encontra a orelha...
Sussurra - Amo-te -
Pede - Ama-me -
Ordena - Possua-me -
Boca carnuda, cor carmim...
Desbrava a pele nua do amado.
Boca beija...beija...
Boca calada que ama.
Boca que grita o prazer.
Boca...boca nua...
Boca aberta, boca fechada...
Boca que encaixa na boca
a outra boca.
Enrosca, lambe, morde, beija.
Boca que ama, que excita...
Boca bendita de amor.
Boca bruxa que enfeitiça..
Boca que envenena e paralisa
a boca beijada, amada, faminta.
Boca minha, na tua boca.
Boca estarrecida, cansada...
Boca orgásmica, boca melada...
Boca...boca amada.
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Eugénio de Sá
No apagar de um dia de dureza de lidas
Acendem-se nos amantes as carícias
E as bocas que falaram de negócios
São as mesmas que geram mil delícias
Perdidos os cansaços na placidez dos ócios
Entrelaçam-se as línguas e as vidas
Beijos doces são então trocados
Sussurram-se aos ouvidos mil promessas de amor
E as almas levitam sobre leitos de afagos
Desenhando caprichos com ardor
Como cisnes vogando sobre lagos
Elevando dos corpos os odores sublimados
É a festa da vida nas bocas e na lua
Onde a seiva fluída usa câmbios gentis
Nas línguas que se exaltam p´los vales esfuziantes
São os jogos do amor nas coxas e quadris
Numa emoção febril de dois amantes
E brilham as estrelas nos quartos e na rua
Maio de 2006

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